terça-feira, 11 de outubro de 2011

CONTO DE FADAS: SEU PAPEL NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA


Amanhã é dia das crianças como todos sabem e achei interessante pensar um pouquinho a respeito delas hoje. Nesta última semana surgiu no Facebook uma polêmica campanha para mudar nossas fotos de perfil por desenhos animados que tivessem nos marcado na infância, para que se refletisse com isso a respeito da violência infantil. Embora tenha recebido muitos adeptos, o movimento não teve grandes avanços nesse sentido...As pessoas possivelmente trocaram suas fotos em sinal de “apoio” a campanha, mas nada se discutiu sobre o assunto.
Mas a grande questão que quero chegar, não se refere a violência infantil, mas sim que todo esse movimento de trocar de fotos mostrou um pouco sobre as identificações de cada um com seus personagens na infância; desenhos, filmes, seriados que marcaram suas vidas...e isso a principio parece meio bobo, mas não é! O conto de fadas é uma grande ferramenta de desenvolvimento das crianças.


Hoje em dia, talvez as crianças estejam muito mais parecidas com a Boo de Monstros S.A., a qual não se assustava, mas sim se divertia com os monstros!...rs... Afinal elas já nascem com um número de informações e estímulos muito maior do que era antigamente. Assim, amadurecem mais rápido, aprendem mais rápido...tudo acontece mais rápido.
Enfim, o mundo mudou e as crianças também mudaram, porém, as relações discutidas nos contos de fadas, continuam muito atuais. Eles tratam de abandono, traição, frustração, separação, morte e até mesmo violência! Todos temas muito contemporâneos.
E é a partir do contato das crianças com os contos de fadas, com o mundo imaginário, que elas começarão aprender a lidar com estes seus sentimentos.
Ao assistir um desenho, um filme infantil, a criança poderá sair um pouco da realidade e viver aquele mundo de fantasia, onde pode ser forte, lutar contra seus monstros, mas onde também pode sentir medo, abandono, separações... Enfim, cada um vai se identificar com um ou outro personagem, com o monstro ou com o príncipe, dependendo de sua realidade, de seus medos, de seus conflitos naquele momento. Isto é, a criança terá seu sentimento representado no personagem com o qual mais se identifica, de acordo com o momento e conflito que estiver vivendo.  
E isso facilita o desenvolvimento do seu eu, pois ao liberar sua imaginação a partir do desenho, a criança se permite entrar em contato com seus conflitos e tentar resolvê-los.  A princípio de uma maneira mais segura, isto é, distante, no mundo do imaginário, da fantasia, e aos poucos podendo transpor isso para sua vida real e seus sentimentos de alegrias, tristezas, angústias... Aprendendo a lidar com seus medos, a lutar contra seus monstros internos, a ter tolerância diante das frustrações do dia a dia, quando nem sempre o final é feliz como se esperava.
Ou seja, é através da imaginação que a criança perceberá seus sentimentos ilustrados, por mais absurdos que possam parecer para eles, como raiva e ódio dos pais (o que é natural, mas muito conflituoso), diante das experiências vividas pelos personagens. E a criança aprende com isso a crescer, elaborar e construir sua identidade!
Claro que tudo isso não acontece magicamente, o desenho é apenas um dos estímulos, um facilitador deste processo e a imaginação é apenas uma nuance deste, a formação de uma criança é muito mais ampla. Entretanto, os filmes (contos, desenhos) podem ajudar muito no sentido de abrir um caminho para discussão de sentimentos, de medos, de conflitos familiares; podem facilitar, como já dito, a criança a entrar em contato com seus “fantasmas emocionais”; mas tudo isso precisa ser amparado pelos pais, pelas pessoas que estão próximas a esta criança, para que façam uso desse instrumento de uma maneira saudável, colaborando para a construção da identidade/personalidade dessa criança!
 A participação dos pais e educadores é fundamental, afinal as crianças precisam de apoio para se sentir seguras, precisam de limites, diálogo e auxílio para separar o real do imaginário e o mais importante, precisam do vínculo com seus pais para que se desenvolva de uma maneira saudável.

Joice Pacheco Ambrósio
Psicóloga
CRP: 06/90252

terça-feira, 6 de setembro de 2011

COMUNICAÇÃO: A GRANDE FERRAMENTA PARA UMA VIDA SAUDÁVEL A DOIS


Ao longo de minha vida profissional e por que não dizer também de minha vida pessoal, venho percebendo que uma das principais queixas das pessoas está relacionada aos problemas no relacionamento. As maneiras que essas queixas se apresentam são variadas, tais como, falta de atenção, de carinho, compreensão, cumplicidade... excesso de cobrança, traição, desrespeito...enfim, são muitas  questões.
 Entretanto, vejo que grande parte dessas questões poderiam ser resolvidas ou até mesmo evitadas com o desenvolvimento de uma grande habilidade entre esses casais: uma boa comunicação.
Quando se fala em diálogo logo pensamos naquela famosa e temida cena da “discussão da relação”, correto? Onde todos os problemas, que em geral já estão bem acumulados, são colocados em pauta, todos de uma só vez! Ambos se sentem no direito de jogar na cara do outro, todas as insatisfações e quase sempre no final da conversa só conseguem ganhar mais um nó na garganta e nenhuma solução para os problemas.
Claro, afinal a vida não é como um texto, no qual temos a chance de passar tudo a limpo! Não da pra querer resolver inúmeras questões numa simples conversa. Questões que muitas vezes nem eram conhecidas pelo outro ou sequer representavam um problema para a outra parte.
Mas podemos sim fazer uma releitura e avaliar onde estamos errando e acertando. Mas pra isso não se pode deixar os problemas acumulando até que estes se tornem insuportáveis e muito maiores do que eram no início.
Muitas vezes na tentativa de se evitar uma discussão, alguns casais ou uma das partes do casal, deixa de falar sobre o que está sentindo. Sabendo que aquele assunto atinge uma zona de tensão entre eles, o assunto é evitado. E é aí que mora o perigo, afinal se a insatisfação não é expressa, isso dá margem para interpretações equivocadas da outra parte. Tanto no sentindo de ignorar aquele problema, quanto de não compreender que aquilo se trata de um problema entre o casal e/ou que aquilo fere a outra pessoa. Com isso, o comportamento ou situação permanece e só tende a aumentar. E a tentativa de se evitar uma discussão pode gerar, ao contrário, uma discussão ainda maior! Afinal, quando se tocar nesse assunto que vinha sendo protelado, a tolerância da parte afetada certamente já estará diminuída e aquele diálogo já não será feito de maneira saudável. Ou seja, o “não dito” muitas vezes é muito mais problemático do que o enfrentamento do assunto ameaçador, se este fosse feito de maneira adequada.
Isso mostra o quanto a obstrução da comunicação, que deveria ser uma ferramenta de facilitação entre o casal, pode levar a relação a um desequilíbrio.
E afinal, qual é a maneira adequada então, de se enfrentar um conflito?
Antes de mais nada é importante que se tenha a compreensão de que, quando se fala de um relacionamento, seja ele qual for, (mas vamos considerar aqui o namoro/noivado e casamento), é preciso levar em conta que estamos lidando com DUAS pessoas. E essas pessoas são seres singulares, com defeitos e qualidades!
Essa diferença pode tanto levar à harmonia, quanto à tensão diante do imprevisto, do desigual. Na maioria das vezes, as pessoas que formam este casal tiveram educações diferentes, desenvolveram valores diferentes, tiveram experiências de vida diferentes, em alguns casos possuem maturidades distintas e trazem suas questões pessoais para o relacionamento. Enfim, a visão de mundo do casal nem sempre é a mesma e daí surgem os conflitos.
Mas então quer dizer que para um casal dar certo eles tem que ser exatamente iguais, pensar exatamente da mesma maneira e concordar sempre com tudo? Claro que não, até porque se fosse assim não existiria nenhum casal junto até hoje!
A questão aqui não é pensar da mesma maneira, mas aprender a chegar num equilíbrio. E para isso é fundamental que se tente compreender e que se aprenda a respeitar a visão de mundo e de vida do parceiro. E que ambos desenvolvam a habilidade de dialogar!
As pessoas quando se relacionam não deixam de serem indivíduos. Continuam sendo seres únicos e singulares. Por mais afinidades que um casal possa ter, sempre haverá alguma questão sobre a qual não vão concordar. E é aí que mora o grande desafio do equilíbrio.
Para se conquistar o bem estar numa relação a dois, é preciso que ambos aprendam a ceder! E veja, ceder não é sinônimo de se anular! É fundamental que as individualidades sejam respeitadas e mantidas após o casamento, namoro, etc. Seus desejos, planos, sonhos, objetivos pessoais devem continuar existindo. O sentimento de posse pelo outro e até mesmo a disputa pelo poder dentro de uma relação, ou ainda o comportamento de se anular para viver a vida do outro, são grandes equívocos cometidos.
Muitas pessoas reclamam que o outro “mudou” depois do casamento ou depois de muitos anos de namoro. Ou então que “esta não foi a pessoa por quem eu me apaixonei”. Claro que cada caso é um caso, mas na maioria das vezes, as pessoas não percebem que o que houve foi uma simbiose tão grande entre o casal, que eles deixaram de ser eles mesmos! Acabam se tornando simplesmente uma extensão do outro e se esquecem de ter vida própria. Amar o outro mais que a si próprio, perder sua individualidade, são grandes erros. Numa visão extremamente romântica e até egoísta, isso pode ser muito bonito, mas garanto que na vida real isso não funciona por muito tempo. Isso fatalmente gerará um desgaste e um descontentamento de ambas as partes e consequentemente virão as cobranças e arrependimentos.
Ao contrário disso, é importante que se compreenda que quando se está com uma pessoa, o que muda é que se tem mais alguém para compartilhar a vida, sem você ter que deixar de ter sua vida própria. Você passa a ter, além de seus projetos pessoais, os projetos de casal! E todas as aprendizagens, conquistas, dificuldades, enfim... a vida como um todo, passa a ser compartilhada com mais alguém. E compartilhar não significa forçar ou manipular o outro para aceitar tudo o que se deseja. O equilíbrio está justamente nisso: em não supervalorizar nem subestimar o “eu” e nem o “nós”, mas conciliar ambos de maneira equilibrada.
Acho que a melhor explicação que já recebi de um dos símbolos mais vistos em casamentos, que são as alianças entrelaçadas, foi de um querido colega de profissão, que dizia que cada aliança representa uma das partes do casal. Num lado eu, no outro você. E o meio delas, onde se cruzam, forma-se o nós!

 Essa foi uma das melhores interpretações que já ouvi a respeito desse símbolo. Afinal é justamente isso! Dois indivíduos que não deixam de ser únicos, mas ao contrário disso, compartilham e criam mais uma faceta em suas vidas: o “nós”.
E nessa nova perspectiva, o nós, é preciso que cada um se conheça suficientemente para que se possa respeitar o outro, compreender o outro, saber que aspectos são seus e que aspectos são do outro dentro de um conflito e ter humildade para reconhecer suas responsabilidades diante de um problema. Saber qual é o momento de ouvir e de falar, saber como falar, não precisar de agressividade para se conversar sobre as questões que envolvem o casal, por mais tensão que exista no assunto. E compreendendo tudo isso, chegar ao tão esperado equilíbrio entre o casal!
Falando assim parece tudo muito utópico, inalcançável, idealizado! Mas posso garantir que tudo isso é possível de ser atingido, se o casal souber fazer uso de uma boa comunicação. Mas atenção! Comunicação é diferente de informação! Informar alguém é algo unilateral, você apenas dá conhecimento de algo a alguém. Já na comunicação, o processo é bilateral, você tem que saber falar e também ouvir, para assim se tornar um processo que promova mudanças no casal.
Essa comunicação, segundo Carl Rogers, deve ser feita de maneira autêntica. Para isso, cada elemento do casal deve ser quem realmente é, sem máscaras. Além disso, Rogers propõe três atitudes comunicacionais básicas: a coerência / congruência, a aceitação positiva incondicional e a compreensão empática.
A coerência e congruência, diz respeito a pessoa ser ela mesma, ser autentica, transparente, sem defesas com relação aos seus sentimentos. A aceitação positiva incondicional refere-se a aceitar as manifestações do outro, sem julgar previamente. E a compreensão empática, ou empatia, é a atitude fundamental de acordo com Rogers, para uma verdadeira compreensão do outro e para uma verdadeira comunicação autêntica entre as pessoas.
A empatia, muitas vezes confundida com simpatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro. E sem interferência de seus próprios valores, conseguir sentir como o outro está se sentindo. E a partir disso, compreendê-lo.
Para se evoluir do eu e você para o nós, é muito importante que ambos saibam ter empatia. Isso não significa que a partir disso você irá aceitar e gostar de todos os comportamentos, atitudes de seu (sua) parceiro (a), mas sim que você aprenderá a lidar melhor com suas angústias, a lidar melhor com as angústias do outro e acima de tudo, a respeitar os limites.
Colocando em prática todas essas atitudes e praticando uma boa comunicação, o casal estará contribuindo para um maior desenvolvimento pessoal e consequentemente construindo uma relação mais equilibrada e saudável.
O casamento não é algo sólido e rígido como muitos pensam. Ao contrário, ele é um processo que envolve questões e transformações de duas pessoas. Por isso é tão importante que ambos se descubram, saibam o que querem, aprendam a se relacionar, a se comunicar sem repetir os padrões destrutivos que vem sendo usados, encontrando uma maneira de solucionar os conflitos que satisfaça a ambos.
Quando o casal não consegue alcançar este equilíbrio sozinho, uma alternativa é buscar a terapia. Esta pode ser individual ou de casal, vai variar de caso a caso.
O importante é que o casal busque essa ajuda e lute para a mudança desta relação, enquanto esta ainda valha a pena!  Através da terapia, os indivíduos vão aprender a ser mais plena e profundamente eles mesmos e com isso desenvolver uma comunicação autentica entre si.
Obviamente nem todos os problemas de relacionamento estão ligados a falta de comunicação entre o casal. Este é um dos aspectos do qual falei hoje. Mas no que se refere à comunicação, acredito que estes são os pontos essenciais para que se obtenha uma boa comunicação entre o casal e com isso que se tenha uma vida saudável e feliz a dois!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

MEDO DE DIRIGIR X DIRIGIR SEM MEDO

Para algumas pessoas, o ato de dirigir pode ser algo muito simples, corriqueiro, apenas a aprendizagem de mais uma habilidade motora. Mas ao contrário disso, muitas pessoas sofrem, e muito, com o medo de dirigir.
São inúmeros os casos de pessoas que tiram sua habilitação e depois nunca mais dirigem. Pessoas que se sacrificam para comprar o seu carro, mas não o tiram da garagem. E ainda existem os casos de pessoas que sequer conseguem tirar a habilitação, pois enfrentar sozinhas o medo de dirigir é algo que está além de suas capacidades. Mas por que isso acontece? Vou tentar falar de maneira resumida sobre algumas possíveis causas desse problema.
O medo em si, não é uma emoção negativa. Ele é fundamental para a sobrevivência, não só dos seres humanos, mas também dos animais. O medo é um mecanismo de autoproteção, de manutenção de nossas vidas, afinal de contas, se não tivéssemos medo de nada nos arriscaríamos o tempo todo.
Essa emoção é aprendida ao longo da vida, onde vamos compreendendo o que são objetos ou situações de medo ou não. Assim, temer um assalto, um incêndio ou qualquer outro tipo de violência é algo racional e esperado. O problema é quando esse medo toma proporções exageradas, incontroláveis e até irracionais, se estendendo a objetos e situações que não deveriam representar perigo ou medo, como medo de prédios, ruas e até de dirigir um carro. Quando isso ocorre, passamos a chamar este medo exagerado de fobia.
As reações físicas mais comuns nos casos de fobia são: sudorese, tremores, taquicardia e secura na boca. Mas a pessoa que sofre de fobia também apresenta consequências sociais, que em geral estão atreladas a problemas profissionais, de relacionamento, familiar e até de lazer.
Existem inúmeros tipos de fobias, mas vou me restringir a falar de alguns transtornos de ansiedade que podem estar relacionados a este medo de dirigir.
De acordo com alguns estudos, na maioria das vezes o perfil das pessoas com medo ou fobia de dirigir se enquadram nas seguintes características: são pessoas muito responsáveis, organizadas e inteligentes. Não gostam de errar e ser criticadas e são muito exigentes com sua própria conduta e com a dos outros (inclusive no que se refere a direção). São pessoas muito ansiosas de uma maneira geral, não apenas para dirigir e sofrem antecipadamente por seus possíveis erros.
Um fator importante de sofrimento ao fóbico é a incompreensão das pessoas quanto ao seu problema. Isso porque, considerando a fobia de dirigir, como já mencionado, nem sempre os medos são racionais (como o de perder o controle do carro por falta de conhecimento, de falhar na frente das pessoas e passar vergonha, etc). Muitas vezes o medo é irracional, como passar em pontes, túneis e viadutos. E daí surge a incompreensão alheia, afinal é difícil para os outros entenderem, como alguém pode ter medo – diga-se de passagem um medo desproporcional – de coisas tão normais? Ou então enxergam isso como uma “frescura” ou simplesmente como incapacidade de aprender. E assim, muitas vezes, além de lidar com a sua própria dificuldade, a pessoa ainda vai ter que enfrentar as críticas e o preconceito alheio.
Além desse sofrimento, o medo de dirigir é algo que afeta e muito a vida prática das pessoas, afinal o sujeito que tem medo de dirigir passa por privações, por perder a sua liberdade e independência. Em geral isso abala a sua autoestima e segurança, já que o indivíduo se sente incapaz de realizar atividades corriqueiras do dia a dia (ir ao mercado, levar o filho na escola, dirigir até o trabalho). Por não dirigir, pode ate perder oportunidades de emprego, entre muitas outras consequências.
É importante lembrar que o ato de dirigir envolve inúmeros comportamentos, isto é, o motorista está concentrado em várias atividades ao mesmo tempo. Mas não falo simplesmente da parte motora desta ação, isto é, acelerar, brecar, engatar, manobrar, etc. Se fosse simplesmente isso já não seria algo tão simples assim. Afinal se é uma aprendizagem motora, ela requer treino para que se torne hábil e até automático na realização da mesma. E infelizmente hoje em dia as pessoas dificilmente saem das autoescolas sabendo dirigir muito bem, o que gera ainda mais insegurança nas pessoas recém habilitadas. Para alguns essa insegurança é superada com os treinos posteriores no dia a dia...mas pra outros, isso se torna mais uma barreira.
Isso porque, se a pessoa conseguiu tirar sua habilitação, (como já disse algumas não chegam nem a isso), mas dirigir lhe causa uma ansiedade extrema que chega a bloqueá-la, então como adquirir essa destreza se a ansiedade é tão grande que não permite nem começar a dirigir?
Mas como dizia, o ato de dirigir não envolve apenas a parte motora. Ao dirigir o motorista fica exposto a inúmeras situações que talvez esteja igualmente despreparado para enfrentar. Dentre elas posso citar o relacionar/envolver-se com outras pessoas, afinal o trânsito nada mais é do que esse deslocamento de pessoas e veículos convivendo num mesmo espaço. Ao dirigir você está exposto ao olhar do outro, que nem sempre é de respeito e compreensão. Ao contrário, muitos se sentem no direito de avaliar, julgar e criticar aqueles que estão dirigindo, principalmente se forem os “recém habilitados” e que em geral, ainda não tem a prática necessária para realizar essa atividade com 100% de sucesso.
Enfim, são muitas questões envolvidas no ato de dirigir, que podem gerar ansiedade e medo nos indivíduos. Cada caso é um caso e é importante que você saiba identificar qual é o seu e dar o primeiro e o mais difícil passo: admitir que precisa de ajuda e ir em busca da mesma.

Quando falo de “fobia de dirigir”, estou me referindo a um caso de fobia específica. Não se ouve muito este termo por aí, mas a fobia especifica é mais comum do que se imagina. Como o próprio nome diz, refere-se a um medo causado pela presença de um objeto ou situação específica, como por exemplo, fobia de barata, de água, de andar de avião ou de dirigir.
Este medo/ansiedade pode ocorrer também simplesmente pela antecipação da situação, ou seja, apenas de pensar em dirigir a pessoa já fica ansiosa. Mas a ansiedade, tanto de forma antecipada, quanto vivendo a situação é sempre gerada pelo mesmo estímulo, ou seja, o carro.
De acordo com o DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), as características necessárias para se classificar alguém com fobia específica são:
- medo persistente na presença ou antecipação de um objeto/situação;
- ansiedade diante do estímulo fóbico específico (no caso dirigir);
- evitação do objeto/situação ou tolerância do mesmo com intensa ansiedade;
- interferência desse medo ou evitação do objeto/situação na vida da pessoa;
- o indivíduo percebe que o medo é exagerado ou irracional;
- não apresenta histórico de outros transtornos mentais em sua vida.

Também é possível que aconteça nos casos de fobia – não só na fobia de direção – o que chamamos de generalização. Quando isso ocorre, o individuo fóbico generaliza seu medo para estímulos diferentes do original, mas que tenha alguma relação com o mesmo. Por exemplo, passa a ter medo de andar de carro, mesmo que não seja o condutor.
O tratamento para fobia específica, assim como para qualquer tipo de fobia, envolve o acompanhamento psicológico (onde as técnicas de tratamento são variadas), seja de maneira individual ou em grupo.
Outro transtorno de ansiedade que pode estar relacionado ao medo de dirigir, é a síndrome do pânico. Ao contrário da fobia específica, a síndrome do pânico caracteriza-se pelas crises de ansiedade em diversas situações, que anteriormente não geravam nenhum tipo de insegurança ou medo no individuo e que a partir das crises, passam a ser situações de temor. Se a pessoa sofre uma crise de pânico dirigindo, portanto, logo esta situação pode se tornar objeto de medo e evitação.
As crises de pânico são caracterizadas em geral pelos sintomas: angústia, enjoo, aflição crescente, boca seca, suor, tremores, sensação de desmaio, taquicardia, dores no peito (muitas pessoas pensam estar enfartando e chegam a procurar um hospital, principalmente quando se trata da primeira crise). Nessas crises é muito comum o sentimento de medo de morrer nas pessoas.
A crise de pânico acontece devido a uma descarga de substancias como a serotonina e a noradrenalina no cérebro, que fazem vir a tona todos esses sintomas acima citados, A questão é que isso ocorre diante de uma situação totalmente normal para aquele indivíduo. O organismo recebe um aviso: “Fuja! Perigo!”, totalmente sem propósito, já que não existe nenhum perigo real eminente naquele momento, levando a pessoa a um fortíssimo estado de ansiedade que por mais que ela saiba que não há o que temer, deseja fortemente fugir daquela situação. E saber que não há nada de perigoso ou ameaçador é ainda mais confuso ao indivíduo, que muitas vezes pensa que está ficando louco!
Porém, por mais que a pessoa saiba que não há perigo naquela situação em que viveu a crise, há uma associação entre elas e a pessoa passa a temer a situação anteriormente normal para ela. Isso pode ocorrer, obviamente, com a situação de dirigir um carro, entre outras. A cada nova crise surge um novo objeto fóbico, o que leva a pessoa cada vez mais, ter limitações em sua vida.
O diagnóstico é dado através da história do paciente e o tratamento também envolve inúmeras técnicas e varia de profissional para profissional, mas em geral é feito através de terapia e em alguns casos uso de antidepressivos. Além disso, em se tratando de dirigir, é importante que também se faça de maneira adequada, obviamente, um enfrentamento das situações que a pessoa passou a temer depois das crises. Tudo isso, claro, acompanhado por um bom profissional da área.
O TOC (transtorno obsessivo compulsivo) também é um transtorno de ansiedade que pode se relacionar com o medo de dirigir. O TOC é caracterizado por pensamentos negativos obsessivos que levam a pessoa a agir compulsivamente de determinadas maneiras ou praticar determinados rituais absolutamente sem sentido, para tentar amenizar esses pensamentos. Se não os fizer, tem a sensação de que algo terrível pode lhe acontecer, por mais que tenha consciência de que aquilo não seja algo racional.
Algumas pessoas passam a vida toda convivendo com o TOC , tendo isso como “manias”, pois não afetam sua vida de forma intensa. Mas existem casos onde o TOC se torna muito desgastante e é quando as pessoas costumam procurar ajuda.
No caso de um motorista, isso também pode acontecer. Podem ocorrer pensamentos obsessivos que o “obrigue” a realizar determinados comportamentos compulsivamente, de maneira que o ato de dirigir se torne algo extremamente esgotante, chegando ao ponto de parar de dirigir. No livro de Cecília Bellina “Dirigir sem medo” ela cita o caso de um individuo com TOC, que após passar muito próximo de umas pessoas na calçada com o carro, desenvolveu o pensamento obsessivo de que poderia ter atropelado as mesmas (mesmo sabendo no fundo que não o tinha feito). Aquele pensamento o dominava de tal forma, que ele se via obrigado a voltar no local para verificar se realmente tinha atropelado aquelas pessoas. Isso foi evoluindo gradativamente, até que seus trajetos eram imensamente aumentados, sua angustia era cada vez maior, até o ponto em que ele parou de dirigir.
Assim como nos outros transtornos de ansiedade, a pessoa que sofre de TOC também necessita de um acompanhamento psicológico, para que possa compreender e tratar suas questões e no caso de dirigir, poder voltar a fazê-lo com tranqüilidade novamente.
Outro caso é o da fobia social. Neste transtorno, o individuo é extremamente tímido e teme situações onde tenha que se expor aos outros ou falar em público. Também varia de caso a caso, podendo ser esse “público” um auditório ou duas pessoas. Pessoas desconhecidas ou da própria família. O fóbico social está sempre achando que será avaliado pelos outros de forma negativa. A pessoa tende a se afastar dos outros e sofre com isso.
O fóbico social, como já é de se prever, tem muitas dificuldades de se relacionar, assim, o ato de dirigir se torna algo muito difícil, já que este fatalmente ira se envolver em situações onde tenha que se comunicar com os outros: pode ter uma pane no carro, pode sofrer um acidente, pode bater em alguém e ter que se justificar ou alguém pode bater em seu carro e ter que se defender, enfim, são inúmeras as situações onde alguém que dirige tenha que se comunicar com os outros. E para um fóbico social isso é motivo suficiente para evitar dirigir seu carro.
Algumas pessoas tem características de fobia social, mas nada que as afetem em suas vidas. Porém, quando isso passa a lhe gerar sofrimento e dificuldades em sua vida social, amorosa, profissional, entre outros, o caso é de se procurar ajuda sim e aqui não será diferente dos outros casos, é fundamental que se procure um psicólogo e trabalhe suas questões relacionadas a esta fobia. Consequentemente o medo de dirigir será “dissolvido” ao longo do tratamento, conforme for aumentando sua confiança, segurança, autoestima, entre outros, por mais difícil que isso possa parecer no começo.
O próximo transtorno de que vou falar é mais fácil de se associar a um problema de medo de dirigir. Trata-se do estresse pós-traumático, que como o próprio nome diz, refere-se ao medo e ansiedade que acomete algumas pessoas após viverem situações de extremo estresse, violência ou risco, onde se sentiram com extremo pavor. Exemplo: catástrofes naturais, estupro, acidente de carro, entre outros.
Assim, é fácil de compreender, que após um acidente de carro muito violento, por exemplo, a pessoa possa vir a sofrer de estresse pós-traumático. Nesses casos, ao se expor a indícios daquela mesma situação traumatizante, a pessoa tem sintomas como irritação, sonhos, recordações, cansaço, sobressaltos e fatalmente a evitação fóbica, ou seja, tem um medo incontrolável de voltar a viver aquela situação.
A vantagem do estresse pós traumático é que seu diagnóstico é de certa forma mais “fácil” e consequentemente seu tratamento através da terapia é mais objetivo, no sentido de já saber do que se trata o trauma, diferentemente de outras fobias, nas quais muitas vezes o próprio cliente não consegue identificar do que se trata, de onde isso vem, e o tratamento passa ser mais longo por conta disso. Mas nem por isso o estresse pós-traumático passa a ser algo simples ou de fácil solução. Tudo vai depender da experiência vivida pela pessoa, de suas consequências e obviamente da individualidade de cada um de conseguir lidar com aquelas questões.
Até aqui falei de transtornos de ansiedade que em geral, as pessoas conhecem ou já ouviram falar. Agora quero me ater a falar de um assunto que para muitas pessoas é visto até mesmo como uma qualidade! O perfeccionismo.
Muitas pessoas crescem aprendendo que tem que sempre dar o melhor de si, fazer tudo perfeitamente, sempre buscar mais e mais, e que nunca deve estar satisfeito com “pouco”. O problema é quando isso deixa de ser uma meta, um compromisso em dar o melhor de si e torna-se uma cobrança absurda e desnecessária, com fortes consequências no psiquismo dessa pessoa. Esse perfeccionismo desenfreado é também conhecido como “Fobia de Desempenho”.
Uma criança que passa a vida toda ouvindo de seus pais que nada do que ela faz está bom, que sempre tem que tirar apenas as notas máximas e que quando isso não acontece é punida fortemente, com certeza irá crescer acreditando nisso e tentando evitar ao máximo uma crítica negativa ou vivenciar novamente as sensações ruins que tem ao ser penalizado diante de uma falha. A frase “errar é humano”, parece deixar de ser verdadeira e a pessoa passa a não permitir, a não aceitar os seus próprios erros. O fóbico de desempenho tende a reviver cada erro, não para aprender com isso, mas para se punir, se recriminar. A cobrança que vinha de fora, agora vem da própria pessoa, o que consequentemente gera uma angústia muito grande.
Isso vai se estender a vida adulta e quando esta pessoa for tirar sua habilitação, é possível imaginar o quanto isso será difícil, caso não apresente o desempenho esperado! E como sabemos, em geral, no inicio ninguém dirige perfeitamente bem!
Normalmente o fóbico de desempenho tem uma maneira distorcida de olhar para o mundo, onde o “fazer o melhor possível”, torna-se “fazer o melhor que existe”! São cuidadosos, detalhistas e suas metas quase nunca são alcançáveis. Na maioria das vezes, uma característica marcante nesta fobia é a baixa autoestima. A pessoa se cobra tanto desempenhos perfeitos e inalcançáveis, que nada do que faz está bom e sempre que comete um erro ou simplesmente não alcança seu objetivo (que em geral tem parâmetros inalcançáveis mesmo) só confirma mais uma vez sua autoimagem negativa. Não consegue perceber seu próprio valor e em alguns casos precisa da aprovação alheia para sentir-se admirado, aceito. Por consequência, a ansiedade faz com que este se afaste da situação que lhe gera angustia, por evocar o erro.
O fóbico de desempenho também tende a planejar muito bem suas ações antes de por em prática, para evitar o erro que tanto teme. Mas quando se fala em trânsito é praticamente impossível se prever tudo o que vai acontecer e antecipar suas atitudes, o que impede o tão desejado “controle da situação” do perfeccionista. Assim, dirigir pode se tornar uma atividade extremamente angustiante, a qual essa pessoa passa a evitar para não sofrer com seus “possíveis erros”.
Por todas essas características é possível compreender também que, para um perfeccionista é muito difícil procurar ajuda. Afinal estará diante de uma situação que terá que enfrentar seus próprios medos e pior, a sua “autocrítica” que tende a ser muito severa.

Diante de tudo isso, fica claro, portanto, que o medo ou fobia de dirigir, independente da forma que apareça é causa de muito sofrimento na vida das pessoas. Isso vai variar de intensidade de acordo com o nível do problema e com a necessidade de cada um. Mas o fato é que, por mais sofrimento que exista, muitas vezes por medo, vergonha ou até falta de conhecimento, as pessoas deixam de procurar ajuda.
Meu objetivo principal é que as pessoas possam perceber primeiro que não são as únicas a sofrerem desse mal. Isso é muito mais comum do que parece. E segundo, que as causas do medo de dirigir podem ser variadas. Pode se tratar de uma fobia ou não. Por isso é tão importante que se busque ajuda, para poder compreender o problema e poder trabalhá-lo.
Quando se trata de uma fobia, os tratamentos são variados e vai depender muito de cada caso e de cada profissional. O psicólogo tem uma limitação técnica em seu consultório, pois é fato que para se eliminar totalmente uma fobia, é necessário que haja o enfrentamento do objeto ou situação fóbica na prática. Ou seja, além da terapia, a pessoa precisa dirigir! Para isso, existem hoje em dia, alguns profissionais especializados no assunto, que trabalham com a “Clinica Escola”, (tenho conhecimento aqui na região apenas na cidade de Campinas) onde além do acompanhamento psicológico, existe uma equipe treinada a ensinar e auxiliar essas pessoas com fobia a voltar ou começar a dirigir. Com os tratamentos em paralelo (terapia e enfrentamento do objeto fóbico), os resultados costumam ser extremamente satisfatórios.
O que eu gostaria de ressaltar é que por pior que possa parecer seu caso, ele tem solução. É só ter coragem e iniciativa de dar o primeiro passo e buscar ajuda. Posso garantir que os resultados serão compensadores! Afinal não tem nada melhor do que ter sua independência, sua liberdade de dirigir seu carro sozinho (a) pelas ruas! Sobretudo se isso envolver enfrentar e vencer seus próprios medos!
E por último, e talvez o mais importante, gostaria de ressaltar que assim como em qualquer outra aprendizagem, saber dirigir requer tempo e dedicação. Ninguém nasceu sabendo falar nem andar. Antes de andar, temos que engatinhar, cair algumas vezes, para depois ter passos firmes. Assim também é com a direção. Não temos como sair dirigindo perfeitamente sem antes termos cometido erros. E temos que nos dar esse direito!
Aquela pessoa que o critica, que o ridiculariza, merece mesmo sua atenção? Será que ela não precisa disso justamente para reforçar a confiança ou auto estima que está faltando em si mesma?
Se o seu caso for de fobia e não consegue lidar com isso sozinho, procure ajuda! Certamente não é nada fácil, mas sem duvidas é mais fácil e recompensador do que conviver com estes medos!
Se seu medo de dirigir for algo suportável, com o qual consegue lidar sem um acompanhamento psicológico, o faça! Peça ajuda de alguém de sua confiança (de preferência alguém calmo (a), para te acompanhar. Faça pequenos percursos. Depois comece a aumentá-los. Passe a sair sozinho (a). Comece pelo quarteirão de casa e depois vá aumentando o trajeto quando se sentir preparado (a).
E acima de tudo, permita-se errar! Ria de seus próprios erros! E comemore seus acertos!
Ninguém é perfeito e você também não precisa ser!

Facebook: "Joice Pacheco" (joice_pacheco@hotmail.com)

Joice Pacheco Ambrósio
Psicóloga
CRP: 06/90252
Pessoal, depois de um tempo sem postar, cá estou eu de volta! (risos)...

Quero atentá-los para um problema que estou tendo com os comentários...algumas pessoas estão encontrando dificuldade em me enviar (enviam mas eu não recebo). Então peço a gentileza de se alguém quiser comentar, que por favor o faça através do e-mail joice.pacheco@terra.com.br, ok?! Ou então através do facebook "Joice Pacheco" (joice_pacheco@hotmail.com). Responderei a todos com imenso prazer!

Boa leitura! rs...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Desanimado e insatisfeito com seu trabalho? Fique atento! Você pode estar com a SÍNDROME DE BURNOUT

Trabalho nem sempre significa crescimento, reconhecimento ou fonte de satisfação. Muitas vezes causa desinteresse, irritação e exaustão. E até mesmo, em casos mais graves, pode desencadear a Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout é uma das doenças causadas pelo trabalho, que apenas na década de 70, nos EUA, obteve teorias e instrumentos capazes de entendê-la.
Os sintomas de Burnout são físicos e comportamentais e vão desde o estresse ocupacional, esgotamento físico e mental, até ao sentimento crônico de desânimo, apatia, despersonalização e exaustão emocional, que resulta num desequilíbrio da saúde do profissional.
O indivíduo perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas já não o importam mais e qualquer esforço lhe parece ser inútil. Assim, este passa a ter um contato frio e impessoal, até mesmo cínico e irônico, com as pessoas envolvidas em seu trabalho como clientes, pacientes, alunos, etc.
Pode-se dizer então, que a síndrome de Burnout envolve 3 componentes principais:

1.           Exaustão emocional: o indivíduo percebe que sua energia e seus recursos emocionais estão esgotados e que por isso não pode dar mais de si mesmo a nível afetivo. Há um desgaste emocional diário que o leva a exaustão.

2.           Despersonalização: o indivíduo começa a desenvolver sentimentos e atitudes negativas na relação com as pessoas destinatárias do seu trabalho, gerando um enrijecimento afetivo e prejudicando a relação.  Isso ocorre quando o vínculo afetivo é substituído por um vínculo racional. Trata-se de um estado psíquico em que prevalecem sentimentos de cinismo ou dissimulação afetiva, com presença de crítica exacerbada de tudo e de todos.

3.           Falta de envolvimento pessoal no trabalho: tendência de uma “evolução negativa” no trabalho que afeta a habilidade para a realização do mesmo. Pode ser entendida como uma baixa realização pessoal no trabalho em que o investimento afetivo das relações se perde.

Segundo alguns estudos, a Síndrome de Burnout ocorre, principalmente, nas profissões que trabalham em contato direto com pessoas, em prestação de serviço e/ou em funções que exigem contato direto e excessivo com outras pessoas que necessitam de algum tipo de cuidado.
 Atualmente, as observações se estendem a todo profissional que interage de forma ativa com pessoas, que cuida e/ou soluciona problemas de outras pessoas e que obedece a técnicas e métodos mais exigentes.
É importante ressaltar que os sintomas de Burnout, em geral, podem ocorrer como respostas possíveis ao estresse laboral crônico, para um trabalho estressante, frustrante ou monótono. Ou até mesmo devido à discrepância entre o que o trabalhador oferece, isto é, o que ele investe no trabalho, e aquilo que ele recebe como o reconhecimento de superiores, dos colegas, etc.
Alguns autores associam determinadas características de personalidade a uma maior vulnerabilidade de o profissional sucumbir ao Burnout, mas tal hipótese não obteve muito sucesso. O que foi possível demonstrar é que indivíduos altamente centrados no trabalho e que fazem dele o objetivo único de suas vidas estão mais propensos a entrar em Burnout visto que não há investimento em outras esferas da vida.
Portanto, pode-se perceber que a Síndrome de Burnout está ligada às relações laborais e organizacionais, que com o passar do tempo leva a pessoa a diversos desgastes em sua vida, tanto pessoal quanto social e profissional. Dessa forma, é importante que se compreenda a seriedade desta Síndrome e que se oriente a população “alvo” de seus sintomas e conseqüências.
Além disso, as instituições devem estar alertas e se possível desenvolver medidas preventivas, tais como palestras, dinâmicas de integração e exercícios para descontração e relaxamento dos funcionários. Assim como medidas de apoio dentro da própria instituição, também são fundamentais para que as pessoas possam buscar informações e tratamento para seu restabelecimento. Isso tudo pode ser facilitado pela presença de um psicólogo dentro das organizações.
Dessa forma, a empresa não estará apenas trabalhando a prevenção da Síndrome, mas também contribuindo para o bem estar do trabalhador em seu ambiente de trabalho e consequentemente evitando quaisquer prejuízos futuros que possam ocorrer para a organização, proporcionando assim, uma troca mais funcional e saudável entre colaboradores e empresa!